
A maestria francesa, diploma que certifica quatro anos de estudos superiores, desapareceu oficialmente dos textos regulamentares em favor do mestrado com a implementação do quadro LMD. Essa substituição não se trata de uma simples mudança de nome: redefiniu a arquitetura dos cursos, os modos de seleção e o reconhecimento internacional dos graus universitários franceses.
Seleção para entrada no mestrado: a ruptura jurídica com a maestria
A maestria funcionava em um esquema de passagem quase automática após a licenciatura, com uma seleção eventual dispersa em diferentes níveis do curso, dependendo das universidades e das disciplinas. Algumas formações filtravam na entrada do DEA ou do DESS (bac+5), outras impunham critérios já no quarto ano, sem um quadro jurídico unificado.
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A lei n° 2016-1828 de 23 de dezembro de 2016 estabeleceu um princípio estruturante: o mestrado é um curso contínuo de quatro semestres, e a seleção ocorre na entrada do M1 com uma capacidade de acolhimento definida por cada formação. Não há mais filtragem intermediária entre M1 e M2. Essa mudança no ponto de seleção modificou profundamente a lógica de acesso em relação à antiga maestria.
Encontramos regularmente, inclusive na documentação institucional, confusões entre o antigo regime (seleção difusa, às vezes inexistente) e o quadro atual. Compreender o antigo nome do mestrado no EtudiActiv permite medir a extensão dessa transformação regulamentar, que não se resume a uma questão de terminologia.
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Consequência direta: a taxa de sucesso no mestrado para o ano letivo 2019-2020 foi de 43%, um número que reflete tanto a exigência do curso quanto a seleção realizada anteriormente.

Arquitetura LMD e desaparecimento do DESS e do DEA
Antes da reforma, o percurso pós-licenciatura se dividia em duas vias distintas no nível bac+5. O DEA (diplôme d’études approfondies) abria o caminho para o doutorado e a pesquisa. O DESS (diplôme d’études supérieures spécialisées) orientava para a inserção profissional direta. A maestria, a bac+4, constituía o pré-requisito comum a essas duas filiações.
A transição para o sistema LMD, baseado nos créditos ECTS (European Credits Transfer System), fundiu esses percursos em um único grau de mestrado articulado em 120 créditos distribuídos ao longo de quatro semestres. O mestrado mantém duas orientações (pesquisa e profissional), mas dentro de um mesmo diploma nacional.
- A licenciatura valida 180 ECTS em 6 semestres, correspondendo ao antigo DEUG + licenciatura
- O mestrado valida 120 ECTS em 4 semestres, absorvendo maestria + DEA/DESS
- O doutorado permanece o terceiro ciclo, acessível após o mestrado em pesquisa
Essa reestruturação eliminou o nível intermediário da maestria como diploma terminal. O grau de mestrado a bac+5 tornou-se o padrão europeu reconhecido em mais de 45 países signatários do processo de Bolonha.
MonMaster e procedimentos de admissão: o que muda em 2026
A plataforma nacional MonMaster centraliza as candidaturas ao mestrado desde sua criação. Os ajustes processuais recentes modificam a mecânica dos recursos, um assunto técnico que a maioria das apresentações históricas do diploma ignora.
Desde o 2 de julho de 2026, a colocação em lista de espera não bloqueia mais automaticamente a solicitação do reitor da região acadêmica. O procedimento de recurso agora se articula dinamicamente com as admissões obtidas no MonMaster: se um candidato recebe uma proposta de admissão, o tratamento de sua solicitação é encerrado. Em caso de proposta obtida através do reitor, o candidato deve escolher explicitamente entre essa alocação e qualquer nova proposta recebida na plataforma.
Esse mecanismo ilustra a distância percorrida desde a época da maestria, quando a inscrição era uma abordagem local junto a cada universidade, sem plataforma centralizada ou recurso formalizado.
Taxas de inscrição no mestrado: um dossiê sob tensão
Vários relatórios apresentados ao governo em 2025-2026 preveem um aumento substancial das taxas de inscrição, com um cenário mencionando taxas anuais de aproximadamente 1 300 euros no mestrado em comparação com a tarifa regulamentada atual. O executivo indicou que nenhuma mudança seria aplicada nas entradas de 2026 e 2027, mas o debate permanece aberto.

Grau de mestrado e escolas: uma distinção muitas vezes mal compreendida
O diploma nacional de mestrado, emitido pelas universidades públicas e registrado no RNCP, não deve ser confundido com o “grau de mestrado” que algumas escolas privadas obtêm para seus programas. A ISC Paris, por exemplo, obteve o grau de mestrado por cinco anos, o que lhe confere um reconhecimento acadêmico sem, no entanto, emitir o diploma nacional.
- O diploma nacional de mestrado é emitido apenas por instituições públicas autorizadas pelo ministério da Educação Superior
- O grau de mestrado pode ser conferido a diplomas de escolas (programas grande école, MSc) após avaliação
- O mastère especializado (MS), rótulo da Conferência das Grandes Escolas, não confere nem o grau nem o diploma nacional de mestrado
Essa distinção tem consequências concretas na continuidade para o doutorado, no reconhecimento na função pública e na equivalência internacional do diploma.
A transição da maestria para o mestrado redesenhou em duas décadas o panorama das formações universitárias francesas. A seleção na entrada, a centralização via MonMaster e os debates sobre as taxas de inscrição mostram que esse grau continua a evoluir muito além da reforma inicial. Para os estudantes em ciências humanas, história ou qualquer outra disciplina, o quadro regulamentar do mestrado permanece um objeto em movimento cujos ajustes merecem um acompanhamento atento.